Golpe de Vista

Trabalhar rumo a um sonho! – Entrevista de Nelson Gomes treinador da Juventude Pacense


Ambição sim, mas com os pés bem assentes na terra e a consciência de todos os obstáculos que têm de ser ultrapassados para que possa ser feita história! É este o lema de Nelson Gomes, técnico da Juventude Pacense, que agora já não calça os patins, mas é o homem que dá as ordens para dentro do ringue e sonha em ser o responsável por transformar o hóquei pacense num hóquei de primeira!

GDV- Num comunicado do clube foi dito que o objetivo para a próxima temporada é lutar pelos lugares cimeiros e tentar colocar o clube pela primeira vez na 1ª divisão nacional. Acredita que é possível conseguir esse feito já esta época?

Nelson Gomes- Não sei se será muito fácil. Mas é lógico que o objetivo do clube passa sempre por tentar melhorar o que foi feito na época anterior e acho que vamos conseguir dar um passo em frente. Se vamos conseguir esses objetivos não sei, mas a grande meta é fazer melhor do que a temporada passada.

GDV- O clube tem estrutura para sonhar com a 1ª divisão?

NG- Eu acho que o clube tem conseguido melhorar as condições, retificar algumas coisas que não estavam tão bem, mas isto é um processo que não é de um dia para o outro que se consegue. Existem bastantes equipas já com muitas rotinas de 1ª divisão e aqui o Juventude Pacense está a tentar criar esses alicerces para no futuro conseguir atacar esse objetivo de uma forma mais precisa.

GDV- Em termos de contratações, até agora apenas chegou o Tó Cruz e renovaram com 7 atletas. Qual é a política? Contratar atletas experientes e tentar manter a base da equipa?

NG- Eu acho que é fundamental criar uma base e é o que o clube tem tentado fazer. E a partir dessa base tentar a cada ano que passa melhorar o plantel, neste caso com a contratação do Tó Cruz. O ano passado tivemos de começar praticamente do zero, saíram quase todos os jogadores. Esta política que o clube está a ter não é só destes dois anos, mas sim dos últimos três quatro anos. E estava a conseguir cumprir de uma forma bastante eficaz, no entanto na temporada transata houve um pequeno revês no clube e teve de se começar novamente um bocadinho de baixo. Este ano acho que estamos a conseguir dar novamente esse passo em frente. Para atingirmos o objetivo falado, a estabilidade é um aspeto determinante.

GDV- Tendo em conta que o Juventude Pacense lutou pela manutenção na temporada passada, acha que é suficiente contratar poucos atletas e manter a base para atingir este objetivo tão ambicioso?

NG- Manter a estrutura é fundamental. É muito importante que os jogadores que aqui estão conheçam bem a casa, bem a realidade do clube e que gostem do clube. Devido aos valores que são aqui cultivados, todos os jogadores que por cá passam saem como pacenses. É por isso é fundamental criar essa estrutura e depois tentar com uma ou outra contratação colmatar algumas lacunas que a equipa possa ter. Assim ficamos mais perto de concretizar os objetivos.

GDV- As equipas jovens do Juventude Pacense têm tido bons desempenhos. Há hoquistas na formação com capacidade de se imporem nos seniores?

NG- Há, com certeza. Se analisarmos a equipa sénior deste ano, nós jogamos o campeonato praticamente todo com dois jogadores com idade júnior, um deles de primeiro ano de júnior e o outro de segundo, ambos ainda são juniores este ano. Tivemos ainda mais dois atletas oriundos da formação que fizeram o primeiro ano de sénior, um outro júnior que não foi tão utilizado, mas foi muitas vezes convocado. Estamos a falar de 50, 60% do plantel constituído por atletas da formação com idade compreendida entre júnior e de primeiro ano de sénior. Isto é um sinal que o clube está a apostar nos jogadores da casa e está a conseguir resultados bastante interessantes na formação. Logicamente que quanto mais altos forem os objetivos, maior a necessidade de ter essa mistura de atletas jovens com valor e atletas com mais experiência. E é isso que se tem tentado fazer, mas não há dúvida nenhuma que o clube tem atletas na formação com bastante qualidade. Agora é preciso eles também quererem singrar.

GDV- Uma das novidades do clube para esta época foi a criação do cargo de diretor técnico do hóquei em patins, entregue ao José Luis Pinto. Qual a importância de ter uma pessoa que faça a ligação entre a coordenação e a direção no que diz respeito a todos os escalões?

NG- É bastante importante! Primeiro porque esse papel muitas vezes já era desempenhado por pessoas que tinham outras funções no clube, o que muitas vezes não deixava o tempo necessário para que houvesse um maior acompanhamento. Depois também, o facto dessa pessoa com esse cargo estar mais especificamente atento às necessidades, às possíveis lacunas que possam ter os diversos escalões e ser uma pessoa que está muito presente na vida dos atletas e das equipas.

GDV- Depois de muitos anos como hoquista, qual é a sensação de estar do lado de fora?

NG- Às vezes não é fácil. Confesso que há sempre aquela vontade de calçar os patins e poder de vez em quando ajudar os meus colegas, porque alguns deles foram meus colegas de equipa e às vezes dá essa vontade. Mas acho que isso já é passado, agora tenho de sofrer do lado de fora e já não há volta a dar. Mas surge muitas vezes a vontade de calçar novamente os patins e de jogar. Uma pessoa que gosta mesmo da modalidade não é de um dia para o outro que diz “pronto parou”, não é assim fácil.

GDV- Alguma vez imaginou que poderia ser o treinador a colocar o Juventude Pacense pela primeira vez na 1ª divisão?

NG- É lógico que era uma coisa muito bonita. Eu comecei aqui a jogar há muitos anos atrás e logicamente é um clube pelo qual tenho um carinho muito grande e era sem dúvida uma coisa muito bonita aqui para os pacenses e se fosse eu a colocá-los na primeira divisão era uma coisa fantástica. Mas o que é preciso é que as pessoas que aqui estão terem noção do quão difícil é a tarefa e terem paciência e muita vontade de trabalhar. Mas era uma coisa espetacular, isso era!

GDV- Quais são os seus objetivos pessoais enquanto treinador?

NG- Fui treinador adjunto e jogador em Gulpilhares nos dois últimos anos, aqui também passei por essa transição, jogador-treinador e, embora, já esteja ligado ao hóquei há muitos e muitos anos, estou numa fase de aprendizagem. O que eu quero neste momento é aprender, absorver muitas coisas, algumas das quais que eu vivenciava como jogador, e que do lado de cá são ligeiramente diferentes. Nesta fase eu quero mesmo é estar a aprender, a aprender, a aprender e logo se vê o que isto me vai trazer.

A entrevista foi realizada no dia 13 de julho, no dia seguinte à vitória de Portugal por 6-1 frente à Espanha no Europeu de Hóquei em Patins, pelo que questionamos Nelson Gomes acerca das suas expetativas em relação à nossa seleção. O treinador do Juventude Pacense mostrou-se confiante e conseguiu adivinhar o desfecho do torneio realizado em Oliveira de Azeméis:

“Eu sinceramente depois do que vi ontem tenho a nítida sensação que este ano será o ano da nossa seleção. Estou a ver uma equipa jovem também com alguns jogadores experientes, mas uma equipa muito madura a jogar, com muito querer. Nitidamente estão com todas as “ganas” para ganhar este campeonato.”

 

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