Golpe de Vista

“Serei o treinador do Lixa na próxima temporada!” (parte 3)

Rui Lopes


Bock será homenageado na Lixa no sábado, com um jogo entre os sub 19 do Lixa e os “Amigos do Bock” e no domingo estará presente no encontro entre o Aliança de Gandra e a seleção da Elite, uma vez que foi um dos atletas escolhidos. Depois inicia uma nova etapa enquanto treinador, na qual se espera que seja tão feliz como enquanto jogador!

GDV- Mais de uma dezena de temporadas ao serviço do Freamunde enquanto jogador, gostava de voltar um dia para desempenhar outras funções?

Bock– É uma pergunta complicada de responder porque saí com muita mágoa. Fui acusado de coisas que não fiz, de querer fazer greve, de dizer aos jogadores para não treinarem. Foi um ano difícil, pois tínhamos salários em atraso, acabamos por descer de divisão, tudo nos aconteceu. E sair desta maneira de um clube que eu amo, do meu clube do coração não é fácil. 15 anos com aquela camisola ao peito, com muitas conquistas e depois acabar assim. Descobri nessa altura que o futebol não é como queremos! Não estou a dizer mal ninguém, nunca diria mal do clube que eu amo, mas não foi a maneira correta de eu sair porque eu sempre fiz tudo por aquele clube. Agora se algumas pessoas que estão lá me pedissem para eu voltar, eu voltava, mas com outras pessoas é claro que não.

GDV- Em relação ao futuro sei que quer continuar ligado ao futebol, nomeadamente começar uma carreira de treinador. Acha que tem perfil para se tornar um grande técnico?

Bock– Isso é uma pergunta que só o tempo o dirá. Posso já adiantar que vou começar a minha carreira de treinador já na próxima época. Se eu tenho perfil? O que eu aprendi ao longo do meu percurso de futebolista é que para além de se ser um bom treinador é importante ser um grande ser humano, pois eu penso que o maior trunfo de um treinador é a maneira como convive com os seus jogadores, como fortalece o balneário. Não é o facto de ter sido um bom jogador, que me vai tornar num bom técnico. Vou tentar ser humilde, ser amigo dos meus jogadores e passar-lhes o que aprendi com os treinadores que tive. Mas o que eu entendo é que o que nos ajuda a sermos grandes treinadores são os resultados, pois os resultados ajudam a esconder as lacunas que existem.

GDV- Quais são as suas referências no que diz respeito a treinadores?

Bock– Não vou dizer que o Mourinho é o meu género de treinador, é uma pessoa que admiro, mas se dissesse que é o meu modelo estaria a ser cínico. Antes quero referir os treinadores com quem trabalhei e que conheço melhor. Penso que a nível de saber de futebol, o mister Jorge Regadas, é impressionante. Tem uma capacidade espetacular de ler o jogo, de liderar o balneário. O meu modelo de treinador a seguir, a seguir não porque nunca devemos copiar, mas uma pessoa com quem adorei trabalhar e que é um exemplo para toda a gente como homem e técnico é o mister Carvalhal. Mas é como digo, posso gostar muito de um estilo de jogo, mas se a equipa não ganhar é isso que conta. E é o que se passa com o Arsenal, adoro vê-los a jogar, mas não ganham títulos.

GDV- Li um artigo em que era apontado como o mais provável técnico do Lixa na próxima época. É apenas especulação ou já foi abordado pela direção do Clube?

Bock– É verdade, posso confirmar que serei o treinador do Lixa na próxima temporada, já está tudo acordado. Vai ser o meu primeiro desafio nesta nova etapa da minha vida e quero fazer uma época tranquila, construir um grupo forte e atingir bons resultados.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *