Golpe de Vista

“Nunca joguei na 1ª Liga, mas joguei no Leixões!” (parte 2)


Golos, momentos, histórias! Bock elege as pessoas que o marcaram, as épocas que o fizeram vibrar e os pontos mais altos de um percurso recheado de talento.

GDV- Qual é o momento que elege como o melhor da sua carreira?

Bock– Para ser sincero tenho vários. Como disse tenho uma grande mágoa por não ter atingido a 1ª Liga, mas há momentos que marcaram muito a minha carreira. A nível de clubes foi marcante um ano em Freamunde, em que eu cheguei em dezembro estávamos a 14 pontos do Pontassolense na 2ª divisão B e conseguimos recuperar essa margem, fomos ao play off e subimos. Penso que o meu ano mais marcante foi no Leixões! Eu digo a toda a gente que nunca joguei na 1ª Liga, mas joguei no Leixões. Jogar no Leixões é gratificante principalmente naqueles anos em que tínhamos 8 ou 9 mil pessoas a ver-nos jogar no Estádio do Mar. Jogar naquele clube é algo espetacular, acho que só quem joga lá pode sentir o que significa. Tenho um enorme carinho pelo Leixões. Mas o momento mais marcante da minha carreira, aquele em que chorei de alegria, foi quando me tornei o melhor marcador da 2ª Liga ao serviço do Freamunde com 36 anos. Não é fácil, pois o Freamunde lutava sempre para não descer e é ainda mais especial pois foi no clube que eu amo, no meu clube do coração! Esse foi o ponto mais alto da minha carreira!

GDV- No que diz respeito a treinadores, qual foi o técnico com quem mais cresceu enquanto atleta e pessoa?

Bock– Todos os treinadores para mim foram importantes. Eu tenho uma situação curiosa com um treinador, nomeadamente, com o senhor Pedro Gomes que me treinou no Marco e foi o único que técnico com quem eu não fui titular. O senhor Pedro Gomes lançou um livro e mandou-me uma mensagem a dizer que gostava muito que eu estivesse presente no lançamento e eu com todo o gosto fui. E a primeira coisa que ele me disse quando eu cheguei à beira dele para lhe dar um abraço, foi que nunca esperou que eu estivesse presente e abraçou-se a mim emocionado. Mas como disse todos os treinadores me marcaram. Foi um orgulho trabalhar com o Carlos Carvalhal, que é uma pessoa acima da média, tudo o que lhe está a acontecer em Inglaterra para mim é normal, porque como treinador é fantástico, mas como ser humano é ainda melhor. Depois há dois treinadores que me marcaram porque tiraram muito rendimento de mim como homem e jogador e para além de me terem treinado são dos melhores amigos que tenho na vida. Estou a falar do mister Nicolau Vaqueiro e do mister Jorge Regadas. Posso dizer que esses dois foram os que mais me marcaram.

GDV- Durante toda a carreira nunca saiu do país. Nunca surgiu uma proposta verdadeiramente tentadora?

Bock– Tive muitas propostas tentadoras, sinceramente. Mas eu vim de um meio pobre e o dinheiro nunca me subiu à cabeça. A melhor proposta que eu tive foi quando estava em Vizela. Ligaram-me dois empresários de França a dizer que iam ver os meus jogos, em casa com o Marco e na Póvoa frente ao Varzim. No primeiro vencemos por 4-1 e marquei três golos, no outro empatamos 3-3 e marquei mais dois. Nessa semana falei com eles e fizeram-me uma proposta muito vantajosa em termos financeiros, não só para mim, mas também para o Vizela, que chegou a acordo. Mas como a minha filha mais velha tinha nascido há pouco tempo e eu queria um contrato de apenas 1 ano e meio, e a proposta eram 3 anos e meio, acabei por não ir. A minha família é o mais importante e precisavam de mim. Também não me senti preparado para abraçar esse desafio sozinho.

GVD- Arrepende-se de alguma coisa ao longo da sua carreira?

Bock– Arrependo. Arrependo-me de ter dito não a alguns clubes. Apareceram convites importantes que eu recusei, porque o coração falava sempre mais alto, mas os últimos anos de futebol fizeram-me perceber que um jogador não pode pensar só com o coração, pois por vezes levamos pontapés de onde menos imaginamos.

Não perca a terceira parte de uma grande entrevista a Bock, na qual o goleador falará da possibilidade de um dia regressar a Freamunde.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *