Golpe de Vista

Jorge Vilela ” Saio de cabeça erguida”


Considerado um dos jovens mais promissores do SC Freamunde nas últimas temporadas, Jorge Vilela vai agora tentar dar um novo rumo à sua carreira, terminado que está o vínculo ao emblema que representou durante dez anos. Fomos saber o que vai na alma do médio de 22 anos, que muitos viram como um potencial sucessor de André Leão.

Golpe de Vista (GDV): Qual o balanço que fazes da época?

Jorge Vilela (JV): A nível pessoal um pouco atribulada! Uma ida à Roménia para representar um clube que luta pelo título como é o caso do Universitatea Craiova, uma ida não muito feliz, onde por vontade própria decidi voltar, fruto talvez de alguma juventude e achar que não estava preparado para uma experiência fora do meu país! Clube que acompanho e desejo desde já as maiores felicidades!

Quanto ao Freamunde … Um início prometedor, boa equipa técnica, plantel com muita qualidade, claramente um candidato à subida. Praticávamos um bom futebol, tínhamos uma ideia e princípios de jogo e o mais importante que eram as vitórias! Com o passar do tempo percebemos que nem tudo ia ser fácil e que não nos iam ser dadas as condições que prometeram anteriormente. Com todas as dificuldades e de forma compreensível, em janeiro a maioria dos jogadores saíram para outros clubes o que fez com que houvesse uma reestruturação do plantel! Criou-se novamente um excelente grupo, jovem mas com qualidade, uma excelente equipa técnica mas infelizmente não foi conseguido o objetivo que era a manutenção do clube! Creio que foi uma época complicada, muitas adversidades a nível de estrutura por parte do clube, mudanças de treinadores e remodelação de plantel a meio da competição o que fez com que nunca houvesse a estabilidade que um grupo e um clube necessita para ter sucesso!

GDV: Foi uma época atípica, com mudança de quase todo o plantel a meio da temporada. Como lidaste com isso?

JV: Difícil, nunca tinha vivenciado algo parecido tão pouco! Tínhamos um excelente grupo, unido não só fora mas dentro de campo, mas acho que era inevitável o que acabou por acontecer! Muitas adversidades e cada um procurou a melhor solução para si! Optei por ficar até ao final da temporada e saio de cabeça erguida, com a consciência tranquila de ter dado sempre o melhor de mim em prol do clube que fez de mim o que sou hoje enquanto atleta!

GDV: Comparando com a época anterior, em que o Freamunde também desceu, qual foi a pior experiência?

JV: Comparadas as duas épocas acho que a pior experiência foi a desta época! No ano passado fico com o sentimento que descemos por culpa própria, tínhamos uma excelente equipa a nível individual, um bom grupo, mas dentro de campo as coisas não saiam, falhava sempre alguma coisa. Este ano foi diferente, senti que enquanto grupo tínhamos tudo para fazer uma época tranquila e estar lá em cima a lutar pelos primeiros lugares. Infelizmente o clube passa por momentos difíceis e nem sempre foi capaz de dar as condições que precisávamos para manter estabilidade e fazer uma época tranquila.

GDV: Com apenas 22 anos e depois de teres dado nas vistas na segunda liga, achas que já tens o que é preciso para singrar no futebol profissional?

JV: Sim, sem dúvida! Tenho consciência das minhas capacidades enquanto profissional e ser humano! As oportunidades surgiram devido ao meu trabalho, humildade, profissionalismo. Sinto que tenho capacidades para chegar a outros patamares! Estes 3 anos de sénior serviram para crescer enquanto jogador, ganhei maturidade e experiência e sinto que evolui enquanto atleta!_

GDV: Depois de  quase metade da tua vida em Freamunde, como vês o futuro do clube?

JV: Infelizmente o clube atravessa uma fase complicada, com todos os problemas que têm tido a nível de estrutura e por consequência duas descidas de divisão em 2 anos! Espero sinceramente que consiga dar a volta por cima e que volte o mais rapidamente aos campeonatos profissionais que é o lugar onde merece estar!

GDV: Em duas temporadas conheceste 5 treinadores diferentes. Quais os que mais te marcaram e porquê?

JV: Todos eles foram importantes, de uma forma ou de outra aprendi muito com cada um deles! O Carlos Brito que me deu a oportunidade de fazer parte do plantel, de seguida o  Ricardo Chéu que acreditou em mim e me lançou, o  Daniel Barbosa que para além de treinador é um amigo pelo qual tenho uma grande admiração, o  Micael Sequeira que é um apaixonado pelo futebol e perfeccionista a nível táctico e por fim o  Helton, que todas as palavras são poucas para agradecer por tudo o que fez por mim, cresci muito como jogador e pessoa, pela experiência que me passou, pelos conselhos, pelas conversas que tivemos e pelas palavras dadas quando as coisas estavam mais difíceis!

 

GDV: Que diferenças encontraste entre a segunda liga e o CNS?

JV: Na minha opinião as maiores diferenças tenham sido o rigor e o profissionalismo! A nível de qualidade de jogo também senti diferenças, mas é um campeonato bastante competitivo com boas equipas e jogadores com condições para representarem campeonatos profissionais.

GDV: Já tens perspetivas de futuro a curto prazo?

JV: De momento está tudo em aberto, mas claramente ambiciono voltar aos campeonatos profissionais!

GDV: Que mensagem gostarias de deixar para os adeptos freamundenses?

JV: Um muito obrigado a todos pelo carinho e pela força que deram em todos os jogos, fosse longe ou perto!Foram 9 anos inesquecíveis de estrelinha ao peito e levo-os a todos no coração!

Image courtesy of Joaquim Jorge | Golpe de Vista

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