Golpe de Vista

Coelho à matador


 

O médio    estreou-se a marcar, para o campeonato, com a camisola do Felgueiras 1932. Uma estreia feliz – logo em dose dupla –  justificada pelo atleta com “ o posicionamento no terreno.” O habitualmente médio ofensivo jogou a “ avançado, num sistema de 4-4-2 e por isso apareci mais em zonas finalização”, explicou.

Os dois golos apontados e as recentes exibições são também uma forma de agradecer “ao clube e às pessoas que me receberam muito bem. O clube tem óptimas condições e as pessoas são muito prestáveis. Nota-se que existe preocupação em dar-nos tudo o que é indispensável!”refere.

Apesar de contar apenas 24 anos, José Coelho tem já muito para falar de uma carreira da qual não abdica, ciente das suas capacidades. Contudo não esconde a mágoa pela forma como foi olhado por muitos agentes desportivos. Ao Golpe de Vista, José Coelho desabafou: “Sinto que muita gente olha para mim de lado desde muito cedo. E sobretudo como um ex jogador esquecendo se que ainda tenho 24 anos. Esquecem-se que desde os 18 anos que sou profissional e membro ativo em todos os planteis que passei. Nunca fui olhado como um jovem promissor, nem uma presença minha ou golos com 18 anos foram motivo de entusiasmo. Se eu não jogar um jogo é porque já fiz algo errado, se não jogar 5 é porque já estou castigado. Nunca ninguém olhou para mim e quis potenciar as qualidades enquanto jovem, os clubes que passei na minha formação( P.Ferreira, FC Porto, Inter de Milão e Benfica) foram um problema para muita gente.

coelho no benfica

Eu apenas queria ser visto como alguém com 18 anos a estrear se na primeira liga, depois como um miúdo de 20 a querer jogar e crescer na segunda liga e só senti reconhecimento quando fui para o estrangeiro onde fui campeão( Sheriff, da Moldávia) num clube que disputa as competições europeias. Infelizmente ter que voltar para Portugal levou a mais reviravoltas e apesar de ter dado a volta e conseguido ser um membro importante (todos os jogos convocado e 1500 minutos) numa equipa(Penafiel) que subiu de divisão com 23 anos não é visto como uma coisa positiva, mas como um ano que joguei pouco.

titulo na moldavia

Sozinho, contra o mundo, se assim tiver que ser o médio procura fintar o destino que lhe querem traçar e encara esta descida ao Campeonato Nacional Sénior como um renascer. “Este “teórico” passo atrás para mim é sobretudo a vontade de voltar a ter prazer a jogar futebol, divertir me dentro do campo, jogar sempre e poder mostrar que posso fazer muito mais do que aquilo que tenho feito.” José Coelho que já se aventurou por Itália, ainda juvenil, e depois pela Moldávia, onde foi campeão, tem como objetivo afirmar-se definitivamente no futebol luso e dar razão a quem um dia o colocou como capitão da selecão nacional de sub 18.

coelho com paulo sousa

Mas a maior maturidade, agora, presente, faz com que o estrangeiro já não seja “um bicho de sete cabeças: “felizmente hoje vivo uma situação familiar bastante estável que me deixa à vontade para jogar mais longe de casa. Afinal de contas, santos da casa não fazem milagres.”

Uma mudança, que a acontecer, nunca surgirá antes do final da temporada. Até lá está apostado em ajudar uma equipa que “luta pela permanência, mas que em minha opinião tem muita qualidade e até poderá alcançar algo mais”, embora reconheça que a diferença pontual para os lugares de acesso à fase de promoção “ é difícil de superar, num campeonato como este”, refere Coelho, para quem a prova tem “ um formato desajustado”. Quanto ao futebol praticado, o médio não tem dúvidas: é diferente do da segunda liga, tem óptimos jogadores, equipas a praticar um bom futebol mas é menos intenso. Existe mais preocupação em jogar bem do que na segunda liga.”

Image courtesy of Joaquim Jorge | Golpe de Vista

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