Golpe de Vista

A primeira entrevista de Bock depois do fim da carreira (parte 1)


Chegou ao fim a carreira de Bock, o goleador que foi muito feliz com a camisola do Freamunde e que resolveu pendurar as chuteiras aos 40 anos, depois de uma época ao serviço do Lixa. Na primeira entrevista após deixar os relvados, Bock falou abertamente da mágoa de não ter chegado à 1ª divisão, dos momentos chave da sua carreira, da saída do Freamunde, do futuro e de muito mais, numa entrevista com três partes a não perder!

GDV- Sei que isto já deve ter sido perguntado centenas de vezes, mas de onde surgiu a alcunha “Bock”?

Bock– Surgiu através do meu pai, que tinha medo de saltar ao “Bock” na escola e então os colegas apelidaram-no de “Bock”. Depois o meu pai começou a jogar à bola, também nunca chegou à 1ª liga, mas jogou na 2ª, o que na altura já era muito bom e eu como lhe segui os passos fiquei com a mesma alcunha.

GDV- Depois de 10 anos nos escalões jovens e 22 enquanto sénior, qual é o sentimento que tem por deixar o futebol enquanto jogador?

Bock– É um sentimento de muita tristeza, porque é uma vida inteira a treinar, a jogar, a entrar em muitos balneários, a passar por diversas situações, mas também temos de nos mentalizar que tudo tem um fim. Está-me a custar muito mais que aquilo que pensava! Mas a vida é assim. O mais importante é que vou continuar ligado ao futebol e isso vai ajudar a que não custe tanto. Acho que mau é quando um atleta abandona e fica sem pisar os relvados, sem estar no balneário.

GDV- Uma carreira recheada de golos e grandes momentos. Não sente que merecia ter chegado à 1ª divisão?

Bock– Assumi publicamente num programa de televisão que o meu grande objetivo como jogador de futebol não foi atingido. Não posso atirar a culpa para ninguém, pois quando não atingimos um objetivo na vida somos nós que temos de assumi-lo. É claro que fica uma grande mágoa porque época após época a estar entre os melhores marcadores, a marcar no mínimo 15 a 20 golos e a não ter sequer uma oportunidade, pelo menos um ano na 1ª Liga. Mas o que levo da minha carreira é que fui sempre leal em todas as equipas por onde passei, dei sempre o que tinha e o que não tinha, fui sempre profissional com toda a gente e isso faz com que eu chegue ao final da carreira e me sinta feliz com aquilo que produzi. Mas é claro que no fundo me sinto triste, pois falhei o meu grande objetivo enquanto jogador!

GDV- Em algum momento apareceu alguma proposta para rumar à 1ª Liga?

Bock– Sim, apareceu uma quando eu saí a custo zero do Vizela. Chegamos a falar do ordenado, mas surgiram umas coisas pelo meio, extra futebol, que eu não gostei muito e então optei por não avançar. Foi a situação em que estive mais próximo de ir para a 1ª divisão, já com 30 anos.

GDV- Brilhou nos escalões de formação do FC Porto e até assinou contrato com o clube, mas nunca o representou enquanto sénior. O que se passou?

Bock– Jogava num clube modesto como é o Passarinhos da Ribeira e fui convidado para ir para o Porto no último ano de infantil. Decidi ir e fui campeão nacional de infantis, bicampeão nacional de iniciados, falhei o título nos juvenis, mas voltei a ser bicampeão nos juniores e no último ano de formação assinei quatro anos pelo Porto. Depois fui emprestado a vários clubes e o contrato acabou no meu primeiro ano de Freamunde em que fiz 47 golos. Pensava eu que com a época que estava a fazer que ia ser diferente, mas as pessoas do Porto optaram por não renovar contrato, o que eu respeito. Mas posso dizer que foi um motivo de orgulho durante quatro anos ter contrato com uma equipa como o Porto.

A continuação da entrevista para ler nos próximos dias no seu Golpe de Vista, com a segunda e a terceira parte, nas quais será revelado o futuro de Bock e o ex jogador falará do que se arrepende e dos treinadores que o marcaram.

 

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